EUA aprovam lei histórica sobre stablecoin: o que a nova estrutura significa para a criptografia

Em uma rara demonstração de cooperação bipartidária, o Congresso aprovou a Lei de Pagamento Stablecoin, estabelecendo a primeira estrutura federal abrangente para emissão e operação de stablecoin nos Estados Unidos. A legislação, assinada ontem pelo presidente, exige que todos os emissores de moeda estável que operam nos EUA obtenham uma licença federal, mantenham 100% de reservas em dinheiro e títulos do Tesouro de curto prazo e se submetam a auditorias mensais por empresas de contabilidade aprovadas.
Principais disposições
A lei cria duas categorias de emissores de stablecoins: “emissores bancários” (bancos tradicionais que optam por emitir stablecoins de acordo com os estatutos bancários existentes) e “emissores de stablecoins de pagamento” (empresas cripto-nativas que obtêm uma nova licença federal do OCC). Ambas as categorias devem manter reservas que consistam em pelo menos 80% em títulos do Tesouro dos EUA e não mais que 20% em depósitos à vista segurados em bancos membros do Federal Reserve.
São necessários atestados mensais de reservas das 20 principais empresas de contabilidade, com relatórios de auditoria completos publicados trimestralmente. Os emissores devem implementar contas de clientes segregadas, garantindo que, em caso de falência, os detentores de stablecoin tenham prioridade sobre todos os outros credores. Esta disposição aborda diretamente as ansiedades criadas pelo colapso da Terraform/Luna e pela falência da FTX.
Impacto na Indústria
A Circle, emissora do USDC, adotou publicamente a estrutura, com o CEO Jeremy Allaire chamando-a de "a clareza regulatória que temos defendido desde 2018". A Circle já opera de acordo com os requisitos da lei e deverá receber uma das primeiras licenças federais.
Tether, a maior stablecoin por capitalização de mercado (US$ 140 bilhões), enfrenta ajustes mais significativos. A empresa, constituída nas Ilhas Virgens Britânicas, tem resistido historicamente à supervisão regulatória dos EUA. A nova lei dá aos emissores fora dos EUA 18 meses para obter uma licença federal ou cessar operações com cidadãos dos EUA – uma disposição amplamente vista como visando especificamente o Tether.
Os gigantes bancários JPMorgan e Goldman Sachs já anunciaram planos para emitir suas próprias stablecoins sob a via banco-emissor, reconhecendo a ameaça competitiva dos emissores cripto-nativos e a oportunidade de dominar os pagamentos baseados em blockchain.
O que isso significa para o DeFi
A lei exclui explicitamente "stablecoins algorítmicos e descentralizados" da estrutura regulatória, reconhecendo que os protocolos sem um emissor central (como DAI/Maker) operam de maneira diferente dos stablecoins centralizados. No entanto, a isenção exige que o protocolo seja “genuinamente descentralizado” – uma definição que a SEC irá concretizar através de regulamentação nos próximos 12 meses.
Para o ecossistema criptográfico mais amplo, a lei da moeda estável representa um modelo para regulamentação futura: regras claras, mecanismos de aplicação existentes e compromisso entre inovação e proteção do consumidor. Ainda não se sabe se o Congresso conseguirá replicar essa abordagem para exchanges, protocolos DeFi e classificação de ativos digitais.
O mercado de stablecoin, atualmente em US$ 200 bilhões, deverá atingir US$ 1 trilhão dentro de três anos sob o novo quadro regulatório. Acontece que regras claras são boas para os negócios.

